Como quer ser lembrado, e como quer ser cobrado
Me perguntaram como eu queria ser lembrado daqui a vinte anos. Não precisei pensar muito.
“Aquele que mudou o Pacto Federativo.”
Repara no tamanho da frase. Nenhuma lista de obra, nenhuma coleção de cargo. Uma mudança estrutural só, grande o bastante pra valer uma vida pública: o dinheiro do Paraná ficando no Paraná, e cada estado dono das próprias decisões.
Só que frase bonita não vale nada se não der pra conferir. Então fica registrado aqui o que você pode cobrar de mim, do primeiro dia até o último:
- Voto nominal em tudo. Se eu represento você, você tem que saber como eu votei em cada pauta.
- Erro meu se corrige em público, com o dado certo na mão, sem empurrar a conta pra assessoria.
- Denúncia verdadeira contra aliado se publica e vai pro Conselho de Ética, sem exceção por causa de sigla.
- Tema que eu ainda não estudei, eu digo que não estudei, vou atrás e volto com resposta. Inventar posição na hora, não.
- E a régua mais dura por último: se alguma emenda minha beneficiar exclusivamente a minha família ou empresa em que eu tenha parte, pode me cobrar que eu entrego o mandato.
O resto deste arquivo existe pra sustentar essa frase. Abre as pastas, lê as fichas, discorda do que quiser e me cobra pelo que ficou registrado. É assim que eu queria que a política funcionasse, então comecei fazendo a minha desse jeito.